quarta-feira, 2 de março de 2011

AS UTOPIAS

Por Arlindo Montenegro
Imagine um lugar que não existe, uma "não realidade", uma fantasia otimista, muitas vezes absurda, povoando as mentes com a generosidade do que gostariamos que fosse e que a gente elege como objetivo de vida. Um mundo diferente em que prevalece o essencial, em harmonia com as naturais imperfeições humanas. Entre o paraíso original e Shangri-lá, construímos a tal sociedade humana das liberdades e direitos responsáveis.

Sir Thomas More descreveu em sua Utopia, casas iguais, trabalhos no campo e tempos livres para as artes e leituras, com todos os recursos distribuidos gratuitamente e o dinheiro utilizado apenas para o comércio exterior e para... financiar guerras! No tempo em que Da Vinci produzia sua obra futurâmica, aquelas máquinas eram utópicas. Como eram utópicos submarinos e naves espaciais descritas na obra de Julio Verne.

Quando encaramos o pensamento político, alimento das utopias, percebemos a distância entre a possibilidade e a verdade contida nas práticas do marxismo, nazismo, fascismo, anarquismo, que em nossos dias se apossa da utopia democrática, para mobilizar a população de diferentes e únicas pessoas, para aceitar, libenter ou impositivamente, a utopia do mundo unificado sob um só governo.

A utopia econômica capitalista, poderia derivar para um estado de direito democrático. Mas não o fez. As utopias comunistas – nazismo, socialismo, fascismo, anarquismo – que acenavam com o mundo "justo" no pós capitalismo, sem propriedade privada, deram com os burros n'água, escrevendo páginas de crueldade extrema nos embates contra os próprios nacionais e nos confrontos com os exércitos da democracia capitalista.

Estamos no limiar de um ponto de ruptura e não temos a clareza da nova utopia. Propagam-se as idéias da religião verde, ecológica, que já nasce vestida com fraudes e vícios que a situam no plano de mais um engodo fascinante para muitos. O estado ecológico baseado em regressão tecnológica e comportamentos culturais que beiram o absurdo.

Como todas as formas de estado, se fundamentam em religiões, cada religião em que os crentes, tradicionalmente, aceitam e veneram seu(s) Deus(es) como verdade(s) única(s), a humanidade se depara com um nó górdio: no mundo do governo único, que religião vai preponderar para que as pessoas possam dar sentido às suas vidas?

Hoje as hordas políticas agnósticas ou fanáticos religiosos tratam de assassinar os que professam outras crenças, especialmente os cristãos, que sofrem ataques voltados para a eliminação de princípios e valores, sobre os quais se desenvolveu a mais significativa das civilizações.

São perseguidos e assassinados judeus, budistas e islamitas, tanto quanto os cristãos pelo mundo afora. Mas nas américas, conhecemos a particular e oportuna utopia do autoritarismo despótico de um só partido, com faces e vestimentas populistas, todos exponencialmente corruptos: bolivarianos, lulistas, sandinistas, tupamaros, peronistas, todos unidos para substituir os códigos jurídicos nacionais pelas normas internacionais emanadas pela ONU, afetando a cultura, as crenças e comportamentos e invertendo a estrutura jurídica dos estados nacionais.

Para isto as condutas anti-democráticas são impostas através de fraudes e manipulações, como vivemos entre nós com a lei da ficha limpa, ultrapassada por desvios legais, situando dezenas de fichas sujas nas duas casas legislativas, com beneplácito do executivo e do legislativo.

Tudo dissimulado para violar os direitos democráticos de trabalhadores, instituindo o salário mínimo por decreto, o código florestal, o desarmamento da população, o aborto, as operações de mudança de sexo, mais impostos, mais controles sobre os indivíduos. E tudo parece muito natural, para os formadores de opinião pública e da indecente vassalagem acadêmica.

O poder executivo absorvendo os três poderes, controla o congresso e utiliza o poder judiciário como agente, para legitimar deformações institucionais e proteger os poderosos flagrados com a mão na massa em atos de corrupção. O discurso é único fazendo da mentira a nova utopia. Aquela velha esquerda com o discurso que muitos acreditaram ser nobre, manobra para conduzir-nos a mais um desastre, pontilhado de ilhas raciais, preconceitos e pessoas "especiais".

Só nos resta exercer o direito de espernear, até quando se dissiparem as nuvens poluentes da guerra em curso.

Um comentário:

  1. O triste é só nos restar espernear. Incrível o que vem acontecendo conosco, enquanto a maioria, possivelmente pensante, faz as trouxas para o Carnaval como se não importasse estarmos agora nas mãos de um só partido que, cegamente, obedece ao Executivo o qual nos rouba a pouca dignidade pela qual ainda lutamos.

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